Net-Ativismo: protestos e subversões nas redes sociais digitais
Palavras-chave:
Net-Ativismo, redes sociais digitais, big-data, PortugalSinopse
Este livro insere-se no âmbito da linha de pesquisa sobre net-ativismo surgida no Centro Internacional de Pesquisa Atopos da Universidade de São Paulo, como o resultado de um estudo pioneiro realizado pela Prof.ª Dra. Marina Magalhães de Morais, sob a preciosa orientação do Prof. Dr. José Bragança de Miranda. Neste contexto o Centro Atopos abriu um novo campo de estudo, não um campo disciplinar, mas um campo de forças, no sentido atribuído a este na física por Maxwell. Isto é, um campo no interior do qual convergem visões e interpretações diversas, oriundas das mais diversas disciplinas, que se propõem a abordar a descrição da qualidade da ação no âmbito das redes digitais e nas arquiteturas conectivas.
É necessário desenvolver uma nova teoria da ação para as redes sociais digitais, que leve em conta o caráter não apenas humano das interações e o seu âmbito ecológico e conectivo. Habitar as redes significa não somente interagir e agir em direção a um ponto externo, mas alterar continuamente sua própria ecologia, abrindo-se à modificação da própria condição originária. É esta uma primeira qualidade deste livro: colocar a questão das redes sociais digitais e da conflitualidade em redes num âmbito teórico e epistêmico, recusando o olhar comum que associa os estudos da comunicação digital à mídia, aos meios e à dimensão política, reduzindo o olhar e a perspectiva heurística a uma dimensão meramente instrumental.
A abordagem apresentada a seguir vai numa outra direção e busca narrativas e significados teóricos na interação e nas inúmeras formas de conflitualidades que se multiplicaram no mundo inteiro nas últimas décadas, realizando uma alteração qualitativa do lugar, da linguagem e das formas do agir político. Logo, uma segunda qualidade deste livro é a perspectiva metodológica que o estudo desenvolvido por Marina Magalhães apresenta, caracterizado pela integração entre a observação dos dados, das arquiteturas on-line, das páginas web e a pesquisa nas praças, nas arquiteturas físicas dos protestos e dos conflitos. Um olhar hibridizado, “on-life”, que opta, em lugar de separar, conectar o virtual e o material, recusando a contraposição e pondo em discussão a mesma objetividade dos dois termos.
A terceira qualidade deste trabalho está na perspectiva internacional que aborda as questões do net-ativismo em suas dimensões globais, buscando, portanto, um caminho que permita reconstruir as qualidades e as características do fenômeno. E neste sentido este livro coloca-se como um estudo pioneiro, que vê agora, também em Portugal, a circulação de uma perspectiva teórica original sobre a ideia de ação, a qual aponta para a necessidade de uma nova teoria sobre o social e sobre a comunicação que leve a sério a dimensão conectiva e não instrumental do nosso habitar.
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